Que bonitas primaveras Todas cheias de quimeras
Nossa filha completou
Foi quando sem piedade
Iludida na vaidade
Você me abandonou
Como ainda era criança
Perdeu a sua lembrança
E nunca mais reclamou
Aquela noite
A fotografia
E você que eu possuía
Rasguei pra ela não ver
Mesmo assim amargurado
Conquistei o seu passado
Para não vê-la sofrer
Com a sua triste ausência
Aquela santa inocência
Conseguiu lhe esquecer
Entretanto certo dia
Quando ela percebia
Que as suas amiguinhas
Tinha uma criatura
De carinho e ternura
Que chamavam de mãezinha
Me deixou na igreja
Com uma decisão
Querendo saber então
Por que é que ela não tinha
Se saber o que dizer
Eu lhe disse que você
Neste mundo não vivia
Lá no quarto num cantinho
Ela fez um altarzinho
Onde reza todo dia
Pela sua intenção
Oferece a oração
Pra Virgem Santa Maria
Agora que estás de volta
A bater na mesma porta
Deste lar que já foi teu
Está aberta, vai entrando
Nossa filha está brincando
Veja como ela cresceu
Peço não lhe diga nada
Não chame de filha amada
Pra ela você morrer
Mas o valor da sua alma
É o erro sua vida
Que toda a maldade
Anítima
Ele Ironice
O pouco de vida
Legenda Adriana Zanotto