Ei, tu
Sim, tu
Tô-me a cagar para o que tu dizes
Tô-me a cagar para o que tu escreves
Se a minha palsa é um ponto azul de dedo
É-me um planeta indiferente
Se eu deixo a união de ser assumo
Se o que eu escrevo é pertinente
Se eu quiser fazer canções de amor sobre o bagaço,
eu faço
Se quiseres invadir o meu espaço Corres o risco de levar-me o braço
É que eu sou um gajo fácil É que eu sou um gajo leve
Eu sou quente como um dia de verão E o que digo não se escreve,
mas canto
Tudo o que eu escrevo, escrevo o que eu quero
Eu não devo nada a ninguém, tão pouco laudo
Nem um cadeiro,
não me ciseiro
As pontas já foram guia de papel jornal
Espreme, espreme Despeja-se um no enredo
Por mais açúcar que isso leve O fruto que usa está azedo
Se essa palha não esconde uma agulha não passa a grunfar
Tu escreves merda sem saberes Eu conto sangue sombarde
Se eu quiser me dá só versos brancos até ao refrão,
tranquilo
Se eu quiser avacalhar um bocadinho Não sigo regras,
tenho a escrita livre
E consigo se consigo Sem bengalas e desvios
Sem rima nem roma, figura com estilo
O que digo não se escreve, mas canto
Tudo o que eu escrevo, escrevo o que eu quero
Eu não devo nada a ninguém, tão pouco laudo
Nem um cadeiro,
não me ciseiro
As pontas já foram guia de papel jornal