Trafegando a dois mil pés, mentalizo como é a vida
Pensando além daqui, vi que tudo é tipo um artigo
Pontada, caneta, um giro, café enquanto respiro
Lembrar da manha, fé, sangria, paz, vem sigilo
Sorriso nisso e me inspiro, não é certeza do resto que piro
Já amei alguém, ainda amo alguém, a morte em pleno exílio
Travei capote sem correr, mamão corrida, único abrigo
Rebobine a fita, olhe no espelho e pergunte ao teu inimigo
O que cê faz? Transtorno e pausa, esse é a paz que traz
Onde cê vai quando a morte te trai? Quando o corpo ameige e cê perde a paz
Pra onde cê cai?
Esta é lembrete de vida bela, então só que a fera cê ama ela
Cê não me esperava, eu conserto mentir, seu peso da tela é lembrança dela
A fúria te trava, é o mar do breu, aniquilado é o que corrompeu
Correr pra onde? Espelho é meu, e nem tudo foi Deus que deu
Todo começo tem fim, mas não tão breve assim
Se conta e desconta nem mim, morrer é no problema sem fim
Veio lá sua matéria, matei minha alma pra fortalecer nova áurea
Na face que clama, dizia que ama, acredita na chama
Hoje, águas passadas, trilha sonora, explora essas horas
Na mente só sobra espurro, porra também que traz lágrima
Resumo em amor e aborto, muito antiético, etnia, sexo, sem amor e caos
O pior da vida é relembrar que a cena é uma frustração
E nosso colchão só rancor e raiva, o que pesa a lesa nem o tempo
Espera seis da manhã, quero que o mundo caia
Fingi tudo o que fingi, tudo o que dei, do que almejei
Capotei sem asa e me desci perto desse que não talha
Roteiro sombrio de um cineasta, o amor que queria ser ele acaba
A vida que sonhei, quando te beijei, pela primeira vez, eu que achei
Que meu carinho, era o que bastava, onde você nunca esperava
Mil vezes palavras de desculpa, na eternidade se rasga
Criando teorias grotescas de como a vida seria melhor celebrar de forças avessas
Sem direito, esquerda, homem ou mulher, certo ou errado, vejo como queira
A maldade é a carma, onde o corpo alcança, uma alma desconecta sem prumo
Gatilho, mudança de rumo
Qual os números do pulmão?
Me vejo pulando do cume
A margem de Hora Centurion, no chão que existe o cardume
Lucidez de confusão, mil erros e ninguém assume
No conjunto, julga, entorpe, culpa e destino nunca nos junte
De vento e de guerra interna, na vida faz merda que pune
Na solitária, não importa a área, cada vez mais só efeito dominó
Na mente o suicídio, a adrenalina é nó, muitas vezes pensei em poupou
Mas sou flow, flow, causa dor maior, o mal reflete em tom maior
Meu sacrifício se foi pior, pra você escrevi poemas tipo meu guiô
Pra você deu meu melhor, meu conto do amor, eu me senti menor
O brilho que segue, o verbo é verbo, o universo rumo e minha mente ferve
Mil doses de tudo, bater, trocar o fio da pele enquanto os erros servem
Minha vida é um pedestal, onde o Lorde vira animal
Antes era visceral, tipo o Sineral, depois o Sal, toda a rubrica é know-how
Amor, arte abstrata é extrábico, e a lábia mata, é tudo cênico
Luxúria da carne já é tático, matamos verdadeira milênios
Com uma caneta tudo é mágico, virar positivo ou trágico
Raiz do erro, tudo vira adubo, de herói a vilão aos segundos
No giro do mundo seu cheiro, lábio rasuro, já que tô sem você, então que morra em
verbo
Antes que adentra no escuro profundo
Me engajei na obra, o senso que cobre, tudo se renova enquanto o tempo passa
Herdei minha fé, sucumbi, o chão me estendia, mão em vez de represália
O futuro encalha, se ações empaca, me iludindo, sonho sem champanhe em taça
Converteu os dramas em encenamento que dá sustento pra uma nova área
Em quatro dimensões minha pele rasga, em foto lembrança de uma gota em casa
O amor que cria e se ele acaba, o sonho que sonhei, quando te olhei
Seu amor que fez, logo o que eu achei, com seu sorriso eu era o que bastava
Ó Deus, nunca esperava, eu vejo as palavras, te amo na estrelidade de vaca
Ó Deus, nunca esperava, eu vejo as palavras, te amo na estrelidade de vaca