Cena 2
O compadre da morte
Ainda bem que naquele dia,
minha gente,
eu rezei pra minha Nossa Senhora do Bom Pasto
e a cabra cabriola passou só em ligeirinha,
porque eu já tava em tempo de fazer o...
E eu que já fiz!
Eita!
Ô meu Deus, chega tá quentinho!
Mas tá bom, né, de história de Mala-Sombra?
Não tá bom, não?
Tá sim!
Quer que eu leve as coisas embora?
Não, senhor!
O que nós viemos aqui foi pra contar as histórias de Mala-Sombra!
Eu acho que tá bom, dona Nina.
O menino não quer ouvir mais, não.
Ô, me deixe de ser medrosinho, você também, biú!
Ah, que medroso!
Eu não tenho medo, não.
Oxê!
E é o quê?
É que às vezes me falta coragem.
Eita, meu Deus!
Ó, conta a história do compadre nozinho!
Ah,
mas já que vocês querem que eu conte,
eu conto.
Vocês sabem quem compadre nozinho é compadre,
por isso que todo mundo chama ele de compadre nozinho.
Porque o nome dele é Arnoldo,
mas o vulgo é compadre nozinho.
Oxê! De quem ele é compadre, pia?
Ele é compadre é de quase todo mundo.
Eu mesmo sou padrinho de dois pro galinho dele.
Mas tu tá escofundindo Jesus com Gênesio, rapaz.
Ele tá falando de jeito importante.
Isso!
Hum, escuta aí, Zé.
Compadre nozinho tinha um moe de fio e ele já
tinha chamado um moe de gente pra padrinhar
o menino.
Eu mesmo sou padrinho de dois.
Aí nasceu mais um comedorzinho de rapadura e
ele não tinha mais quem chamasse pra padrinhar
o menino.
Aí ele chamou...
Que?
Chamou...
Diga!
Chamou...
Não me diga logo, tu tá me fazendo de besta.
A dona Morte.
Ah,
a filha Maria, meu.
Dessa história eu não sabia, não.
Ah, pois foi.
Ele chamou a dona Morte e disse-lhe...
A senhora quer ser madinha do meu ficaçula.
E não é que a danada aceitou.
Terna decidia ficar o compadre.
Uma noite, dona Morte, que visita todo mundo,
veio visitar o compadre dela.
Mas chegou bem na hora que o compadre nozinho
tava dormindo o seu sono mais sossegado.
Ela chegou bem perto dele e disse,
com a sua voz mais suave...
Acorda, mal-assombrado!
Eita, Febe!
Tu quer me matar do coração?
Que besteira,
compadre! Que não é do coração que tu vai morrer.
E o que é que a senhora deseja aqui,
uma hora dessa?
É que eu estive pensando...
Nós dois somos compadre há tanto tempo...
E você nunca foi na minha casa.
Eu gostaria que você fosse comigo.
Hum... Não é desconfiante da senhora, não.
Mas seguro morreu de velho e eu não quero
morrer agora.
Eu até vou.
Mas se a senhora prometer e me traz de volta.
Prometi!
Já prometida.
Partiram os dois do cavalo fantasma da Morte até a morada dela.
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