Laia, pristo vida, se me ordena
Laia, pois quero vossa condição
Laia,
e os males que dás por pena
Laia,
me
fiquem por galardão
Choram de amor os meus olhos por não terem mandação
Se o teu rosto de mim esconde,
deixa falar o coração
E se o sais de escrivança,
de nova vos serve a donha
Que até de amor não se cansa,
quem conjura já não sonha
Trazes de dentro de ti crueza que me dá pena
Porque te apartas de mim,
triste vida, se me ordena
Deixe-me de amor desamado,
longe de vossa aflição
Por não ser afortunado,
pois quero vossa condição
Se não vos sirvo de nada,
e o despavor me condena
Há-me desalmado, forreada,
e os males que dás por pena
Por razão que encharmo posso,
senhora,
de vossa opressão
E que apenas quero os vossos,
me fiquem por galardão
Laia, la laia, laia laia