Há em mim
razões que a própria razão desconhece
Se eu pudesse levar-te às portas do céu no meu piano
Exaltar essa forma de estar sempre tão longe de tudo
E o ar frio distante de pensar no vazio
A doca parece um porto de abrigo
noturno lá fora
Há tanto tempo que assim não chovia Ligo o rádio baixinho,
é deserto o caminho
Imenso,
de pranto,
vou seguindo sozinho
Ao relento ligeiro
E o sol lá ao longe não tarda em nascer
A imagem do quadro que abraça Lisboa
Magia do cheiro da terra molhada
De beijos entre os dedos Trago segredos guardados
O tempo vai gritando ardida como se fosse sua notícia do dia
E a manchete alenta o que ontem foi
lido E o sol lá ao longe já temei nascer
A imagem do quadro que abraça Lisboa