Dá-me um pouco de atenção
e senta-te à janela
do que te digo.
Hoje não estou para não,
trouxe cigarros,
sede, vinho tinto.
Apetece-me,
apetece-me conversar,
mesmo que nos leve
a nenhum lado,
mesmo que nos faça desafinar.
E nos obrigue a cantar um outro fato.
Não quero ver-te assim tão só,
quando aparentemente te encontras aqui comigo.
Amanhã é tarde hoje,
já não é cedo, ouve bem.
Tenho que te digo.
Há morte em nós por cada dia
que passou.
Há uma voz que enroqueceu mas não se calou.
Já é tarde e faz frio,
não me venhas falar de amor.
Por favor,
não me faças pedir-te por favor.
Não tenho promessas para embrulhar.
Futuros fulgentes, mentiras caras e preciosas.
Roteiros para te guiar
quando a estrada é longa, acidentada e tortuosa.
Tenho o desejo de nos voltar a ver pelas ruas da cidade,
serenos como gatos de telhado.
Sem essas lágrimas nos bolsos e na boca um sorriso bem escovado.
Há morte em nós por cada dia que passou.
Há uma voz que enroqueceu mas não se calou.
Já é tarde e faz frio,
não me venhas falar de amor.
Por favor,
não me faças pedir-te por favor.
Por favor,
não me faças pedir-te por favor.
Não me
faças pedir-te