O amor de antigamente fazia moça na gente, mas era bom de viver.
Tantas calças eu rasguei e joelhos que esfolei, meu amor, só pra te ver.
Ainda lembro a serenata, a chuva de um chão de prata, de um fado que improvisei.
O teu pai quase me mata com uma viola barata, que é tanto custo comprar.
Entre ditas as escadas, eu trepava nas sacadas e jogava umas prodrigas.
Com o coração na boca e uma vontade mais louca, tantas as saudades minhas.
Eram noites ao relento do muro para a janela, à espera do sinal T.
E mais tarde com o tempo, um jantar à luz da vela, deste amor que não morreu.
E se virem dois velhinhos com arrufos e beijinhos, já sabem da sua graça.
São gente de antigamente, dos amores que são pra sempre, a cada dia que passa.
São gente de antigamente, dos amores que são pra sempre, a cada dia que passa.