No meu bairro sem pretensão
Tem horrível reputação
Todos gritam quando eu me calo
E se escandalizam quando falo
Eu que não pensava que era pecado
Evitar a trilha onde anda o gado
Mas a gente detesta quem
Não segue as ordens de ninguém
Essa gente detesta quem
Não segue as ordens de ninguém
Todos me chamam de indecente
Tirando os mudos naturalmente
Quando enterram o presidente Fico na minha cama quente
Que me importa se o rei morreu Vivo o palhaço e viva eu
E eu que não pensava que era pecado Ser indiferente ao engravatado
Mas a gente detesta quem Não segue as ordens de ninguém
Essa gente detesta quem Não segue as ordens de ninguém
Todos apontam pro indecente Fora os manetas naturalmente
Se um garoto rouba um melão E o rico grita pega ladrão
Não resisto e passo rasteira E olho o doutor lambendo poeira
E eu que não pensava que era pecado Ajudar o menor abandonado
Mas a gente detesta quem Não segue as ordens de ninguém
Essa gente detesta quem Não segue as ordens de ninguém
Todos perseguem o indecente Fora os pernetas naturalmente
Não precisa um mago Merlin Pra saber qual será meu fim
No meu bairro à noite se escuta Lincha,
lincha,
o filho da mãe
E eu que não pensava que era indecência
Seguir o caminho da consciência
Mas a gente detesta quem Não segue as ordens de ninguém
Essa gente detesta quem Não segue as ordens de ninguém
Todos verão meu funeral Tirando os cegos é natural