Vieste à janela
para-me ouvir tocar.
Escondeste-te atrás dela.
Não tardaste em me acenar.
E eu de borsalino,
de casaco e papião,
toquei-te violino,
mostrei-te quem eu sou.
Faltava o consentimento.
Fui a casa dos teus pais.
Falámos em casamento.
E dos meus princípios morais.
E saí com um sorriso.
Já contigo de mão dada,
tinha tudo o que eu preciso.
Contigo não me falta nada.
Tinhas umas mãos de fada,
daquelas que só se vê em televisão.
E uns pés de cinderela,
que me fez mudar de profissão.
Fiz da casa uma sapataria,
onde me matei a trabalhar.
Mas na verdade o que eu queria,
era só ver-te calçar.
Todos que não guarda rancor,
sei que não vale a pena o choro.
Se Deus te perdoar,
então também te perdoo.
Quando fugirmos pra sempre,
quando já não estivermos cá,
deixo na caixa dos sapatos,
espero um pouco volto já.
Quando fugirmos pra sempre,
quando já não estivermos cá,
deixo na caixa dos sapatos,
espero um pouco volto já.
Espero um pouco volto já.